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13 de Maio – Desconstrução e luta : “Consciência é uma atividade transcendente”

12/05/2017 por: Comunicação Sindiupes

Em referência ao 13 de Maio – Dia da Abolição da Escravatura, o diretor da Secretaria de Combate ao Racismo do SINDIUPES, Adriano Albertino, propõe um reflexão sobre essa data oficial em contraponto à realidade do povo negro e aos seus desafios no Brasil atual. 

13 de Maio – Desconstrução e luta : “Consciência é uma atividade transcendente”

Com o subtítulo do filósofo e ensaísta marxista Frantz Fanon , autor da célebre obra ” Pele Negra, Máscaras Brancas”, iniciamos esta provocação para problematizarmos e superarmos o arcaico discurso oficial do 13 de Maio, Dia da Abolição da Escravatura.

Houve um tempo, especialmente no Regime Militar e sua pedagogia tecnicista, em que as escolas brasileiras apresentavam passivamente o 13 de Maio como mais uma data comemorativa oficial, onde se exaltava o papel da Princesa Isabel “A redentora” e onde os negros e negras apareciam meramente como beneficiários de uma concessão da Elite Imperial branca.

Esta era uma tentativa do Estado brasileiro de redimir e camuflar as mazelas do que foi a escravidão. Esta versão acrítica diminui a população afro-brasileira, pois desconsidera a luta abolicionista, cujo célula de resistência surgiu ainda no período colonial, e ainda deixa de debater os efeitos do racismo estrutural na sociedade brasileira, as consequências da falta de investimentos por parte do Estado Racista Brasileiro para que negros e negras tivessem maiores possibilidades de reconhecimento socioeconômico e histórico.

Na verdade a luta do Movimento Negro e demais Movimentos Sociais elevou o Dia 20 de Novembro como a Data mais importante na luta contra a Discriminação Racial no Brasil. Mas, não se trata de retirar o 13 de maio do calendário, a proposta é problematizar, levantar questões provocadoras e assim contribuir para a descolonização do ” ser negro(a) no Brasil”.

Os números estão por toda parte: extermínio da juventude negra nas periferias de nossas cidades, mulheres negras violentadas e cuja renda é inferior pelo mesmo trabalho realizado, a quase inexistência de negros(as) exercendo funções de comando ou de elevado status social no judiciário, alto escalão das empresas e órgãos governamentais, poucos negros nas universidades.

Esta realidade denuncia que a mão que, sob pressão dos interesses econômicos ingleses, assinou a lei áurea representa as mesmas mãos que hoje atiram pedras em adeptos das religiões de Matriz Africana, são as mesmas mãos que acenam o não às cotas raciais nas universidades, são as mãos iludidas ou que intencionalmente não reconhecem a importância das políticas públicas para a Promoção da Igualdade Racial na Educação e demais áreas.

O mito da democracia racial está superado, é tempo de levantar as bandeiras do reconhecimento aos negros(as) brasileiros, descolonizar as mentes e os corações para a luta pela real liberdade de expressão, liberdade religiosa, de consumo, de produção intelectual, de ocupação dos espaços de poder, de pedagogias que construam autonomia e não alienação.

Vamos juntos(as) contra o Racismo e contra o golpe!

Prof. Adriano Albertino
Diretor da Secretaria de Combate ao Racismo do SINDIUPES



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